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Auditores-Fiscais do Trabalho da Bahia reúnem entidades para ato pela punição dos mandantes da Chacina de Unaí

Com rosas brancas e uma “cerimônia de velas”, Auditores-Fiscais da Bahia realizaram um ato em frente à SRTE/BA, em Salvador, nesta quinta-feira (22), para cobrar a punição dos acusados de serem os mandantes da Chacina de Unaí.

A manifestação foi promovida pela Delegacia Sindical do Sinait na Bahia e pelo Safiteba, e contou com a participação de diversas entidades e centrais sindicais como a Central Única dos Trabalhadores, Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, Sindicado dos Policiais Civis, Federação dos Trabalhadores na Indústria da Construção e da Madeira, Sindicato dos Trabalhadores em Hotéis, Nova Central e Sindicato dos Trabalhadores Federais em Saúde, Trabalho e Previdência.

Logo no início do ato, os AFTs lamentaram a notícia de que o julgamento do fazendeiro Norberto Mânica e do empresário José Alberto de Castro, que deveria acontecer na manhã desta quinta, na sede da Justiça Federal de Belo Horizonte, foi mais uma vez adiado. A sessão foi remarcada para 27 de outubro.  O também empresário Hugo Pimenta, delator no processo, conseguiu que seu processo fosse desmembrado e será julgado em 10 de novembro.

A vice-presidente da DS/BA, Larissa Moreira, afirmou que a punição dos mandantes do crime poderá minimizar o sentimento de impunidade em toda categoria. “Esse é um momento de indignação e também de reflexão sobre o crime que vitimou os Auditores-Fiscais do Trabalho que estavam em exercício de suas funções para defender trabalhadores e que, infelizmente, pagaram com suas próprias vidas. O que queremos é que os mandantes do crime sejam punidos”, disse.

O presidente do Safiteba, Mário Diniz, ressaltou que a degradação e o sucateamento do Ministério do Trabalho e Emprego, ao longo dos últimos anos, vêm criando condições para que crimes bárbaros contra a Auditoria-Fiscal do Trabalho aconteçam. “No dia do crime, os pistoleiros não foram apenas “bem sucedidos” pela trama arquitetada entre mandantes e executores. Eles foram “favorecidos” quando encontraram uma Auditoria-Fiscal do Trabalho sem aparato de proteção policial, quando, ate hoje, não conseguimos a regulamentação para o porte de arma para defesa pessoal, quando ações fiscais desse porte são realizadas por um pequeno contingente de fiscais e servidores e quando as condições de trabalho não são adequadas. Todos os dias estamos expostos às condições para que outras tragédias como esta de Unaí ocorram”, denunciou.

O AFT, Carlos Dias, lembrou que o caso foi elucidado com rapidez, mas que diversas manobras foram feitas ao longo dos anos para evitar a condenação dos mandantes do crime. “O trabalho feito pela polícia federal, há dozes anos atrás, foi nobre e competente, pois a chacina foi elucidada em poucos dias. Em poucas semanas os executores já estavam presos e anos depois foram julgados. A partir daí travou-se uma luta para que os mandantes desse crime fossem julgados. Outra luta foi evitar que o julgamento do processo fosse realizado em Unaí, cidade que possui forte influencia da família dos acusados”, lembrou.

Diversos representantes sindicais demonstraram manifestação de apoio à luta dos AFTs e ressaltaram a importância da categoria para garantia dos direitos dos trabalhadores brasileiros. O secretário geral da CTB-Bahia Ailton Araújo, se emocionou ao lembrar que dois dias antes da Chacina de Unaí saiu de Barreiras escoltado pela Polícia Federal, acompanhado de um Auditor-Fiscal do Trabalho, após serem ameaçados. “Saímos na madrugada escoltados para que não morrêssemos. Estávamos na cidade na luta pelos direitos dos trabalhadores e pude presenciar a negligencia dos governos e da segurança dos trabalhadores”, disse.

O ato foi encerrado com a leitura de um poema pela AFT, Jeane Sales, que desabafou sua indignação com a situação de insegurança vivida por outros AFTs ainda nos dias de hoje, sobretudo no município de Barreiras, onde também sofreu ameaças quando trabalhava na região. “Fico indignada com uma situação como essa, infelizmente, não alcançou apenas um estado, mas cada um de nós que se faz presente nesse ato. Nossos colegas foram assassinados por terem tido a coragem de realizar seus trabalhos, mesmo sem as condições mínimas de segurança. Eu também fui ameaçada em Barreiras e fui escoltada pela polícia rodoviária federal para conseguir fugir para Salvador. Quero homenagear a todos os trabalhadores do país e, principalmente os Auditores-Fiscais do Trabalho que permanecem vivos por conta da sorte e não por causa do Estado”, desabafou.

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